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CULTIVO HIDROPÔNICO DO MELOEIRO COM REDE DE TUTORAMENTO

CULTIVO HIDROPÔNICO DO MELOEIRO

CULTIVO HIDROPÔNICO DO MELOEIRO COM REDE DE TUTORAMENTO HORTOMALLAS

O melão era considerado até alguns anos atrás um artigo de luxo, já que o
consumo era suprido, em sua maior parte, com melão importado da Europa. No entanto, o
processo inverteu-se e o Brasil passou de importador a exportador dessa hortaliça graças,
principalmente, às condições climáticas favoráveis existentes na região Nordeste do país.
A produção brasileira de melão, em 1999, foi da ordem de 173.866 milhões de
frutos, sendo que somente a região Nordeste participou com 164.411 milhões de frutos,
enquanto que as regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste juntas participaram com apenas
9.021 milhões de frutos (FNP, 2002).
O melão é um fruto de boa aceitação para a exportação, porém, na produção de
1997 apenas 25% foi exportado (Marino et al., 2001). Do melão produzido no Estado do
Rio Grande do Norte, mais de 60%, destina-se ao mercado interno (Souza, 1994). Na
verdade, a maior parte da produção é comercializada internamente, e o grande centro
consumidor desta hortaliça é a região Sudeste, principalmente o Estado de São Paulo.
Na região Sudeste, a cultura tem sido pouco explorada. A principal razão é a
ocorrência de chuvas no período quente do ano, época considerada mais propícia para o
cultivo, levando à incidência de doenças e depreciando a qualidade do produto.
O ambiente protegido possibilita o cultivo do melão em diferentes épocas do
ano (Brandão Filho & Vasconcellos, 1998 e Pereira & Marchi, 2000). Isto é possível devido
ao fato de se ter um relativo controle sobre os fatores climáticos prejudiciais à cultura, tais
como, o vento, geadas, granizo e o excesso de chuvas.
O clima quente e seco favorece o meloeiro, a produtividade e também a qualidade
dos frutos, contribuindo para elevar o teor de açúcares, tornando o sabor e o aroma mais
ricos e melhorando a consistência e a durabilidade. Em regiões úmidas, com pouca insolação
e baixa temperatura, os frutos não amadurecem adequadamente e perdem muito em
qualidade. Devido a estes fatores, o melão na região Sudeste deve ser cultivado em ambiente
protegido.
Uma opção para o Estado de São Paulo é o plantio em ambiente protegido de
melões nobres, pois, estes não possuem concorrentes no mercado nacional. Já que em
função da necessidade de resistência ao transporte a longas distâncias e ao armazenamento
precário, o cultivo do melão na região Nordeste ficou restrito ao tipo amarelo Valenciano,
de origem espanhola. Os melões nobres ainda apresentam ótima qualidade quanto ao
sabor, aroma e textura.
A plasticultura e hidroponia são duas tecnologias de destaque na diversificação
de produção de hortaliças (Junqueira, 1999). Talvez, na região Sudeste, em áreas próximas
de grandes centros populacionais, exigentes em produtos diferenciados e de boa qualidade,
o cultivo de melão nobre em sistema hidropônico seja uma alternativa viável. Isso porque
a tendência é do mercado consumidor buscar a produção de alimentos com melhores
características sensoriais, produtos diferenciados e com menores cargas de agroquímicos.

cultivo hidropônico
Melones con HORTOMALLAS, malla espaldera y de soporte para cucurbitaceas aumenta el rendimiento y disminuye las enfermedades.

1 INTRODUÇÃO
O melão era considerado até alguns anos atrás um artigo de luxo, já que o
consumo era suprido, em sua maior parte, com melão importado da Europa. No entanto, o
processo inverteu-se e o Brasil passou de importador a exportador dessa hortaliça graças,
principalmente, às condições climáticas favoráveis existentes na região Nordeste do país.
A produção brasileira de melão, em 1999, foi da ordem de 173.866 milhões de
frutos, sendo que somente a região Nordeste participou com 164.411 milhões de frutos,
enquanto que as regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste juntas participaram com apenas
9.021 milhões de frutos (FNP, 2002).
O melão é um fruto de boa aceitação para a exportação, porém, na produção de
1997 apenas 25% foi exportado (Marino et al., 2001). Do melão produzido no Estado do
Rio Grande do Norte, mais de 60%, destina-se ao mercado interno (Souza, 1994). Na
verdade, a maior parte da produção é comercializada internamente, e o grande centro
consumidor desta hortaliça é a região Sudeste, principalmente o Estado de São Paulo.
Na região Sudeste, a cultura tem sido pouco explorada. A principal razão é a
ocorrência de chuvas no período quente do ano, época considerada mais propícia para o
cultivo, levando à incidência de doenças e depreciando a qualidade do produto.
O ambiente protegido possibilita o cultivo do melão em diferentes épocas do
ano (Brandão Filho & Vasconcellos, 1998 e Pereira & Marchi, 2000). Isto é possível devido
ao fato de se ter um relativo controle sobre os fatores climáticos prejudiciais à cultura, tais
como, o vento, geadas, granizo e o excesso de chuvas.
O clima quente e seco favorece o meloeiro, a produtividade e também a qualidade
dos frutos, contribuindo para elevar o teor de açúcares, tornando o sabor e o aroma mais
ricos e melhorando a consistência e a durabilidade. Em regiões úmidas, com pouca insolação
e baixa temperatura, os frutos não amadurecem adequadamente e perdem muito em
qualidade. Devido a estes fatores, o melão na região Sudeste deve ser cultivado em ambiente
protegido.
Uma opção para o Estado de São Paulo é o plantio em ambiente protegido de
melões nobres, pois, estes não possuem concorrentes no mercado nacional. Já que em
função da necessidade de resistência ao transporte a longas distâncias e ao armazenamento
precário, o cultivo do melão na região Nordeste ficou restrito ao tipo amarelo Valenciano,
de origem espanhola. Os melões nobres ainda apresentam ótima qualidade quanto ao
sabor, aroma e textura.
A plasticultura e hidroponia são duas tecnologias de destaque na diversificação
de produção de hortaliças (Junqueira, 1999). Talvez, na região Sudeste, em áreas próximas
de grandes centros populacionais, exigentes em produtos diferenciados e de boa qualidade,
o cultivo de melão nobre em sistema hidropônico seja uma alternativa viável. Isso porque
a tendência é do mercado consumidor buscar a produção de alimentos com melhores
características sensoriais, produtos diferenciados e com menores cargas de agroquímicos.

Cultivo hidropônico do meloeiro
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8.1 Transplante definitivo
Quando a altura das plantas for suficiente para alcançar e fixar-se no fitilho do
sistema de condução implantado é o momento adequado para proceder o transplante
definitivo. As plantas já devem apresentar o sistema radicular desenvolvido, facilitando na
adaptação e absorção da solução nutritiva, porém, o sistema radicular não pode estar
muito extenso, pois, vai dificultar a sua introdução no perfil definitivo.
Para a condução das plantas no interior do ambiente protegido, utiliza-se o
sistema de tutoramento, na qual as plantas são conduzidas verticalmente, envolvidas em
fita de
nylon
. À medida que as plantas se desenvolve, sua haste vai sendo envolta na fita
(Figura 7). Esta prática é feita diariamente

Série Produtor Rural – Edição Especial
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O sistema de tutoramento vertical adotado pode ser o de haste única, fazendo-
se o desbaste de todos os brotos laterais até o 10º -12º nó. A partir do 11º, 12º, 13º e 14º nó
são deixados os brotos que darão origem aos ramos secundários. Nestes ramos secundários
surgirão as flores, que serão polinizadas para permitir o surgimento dos futuros frutos. É
mais prático marcar através de um fio de barbante estendido na altura média do 10º-12º
nó. Desta forma, a partir do momento que as plantas ultrapassem o fio são deixados os
ramos secundários se desenvolverem (Figura 8).
O procedimento realizado nestes 4 ramos secundários será a retirada de todos
os brotos que surgirem (ramos terciários) e fazer o desponte do ramo secundário uma
folha após o pegamento do fruto. Quanto mais elevada for a área foliar ao dispor de cada
fruto, maiores serão o peso médio e o conteúdo de sólido solúvel. Nos próximos entrenós,
novamente serão retirados todos os brotos, isto até a planta atingir o arame de sustentação
da fita de
nylon
. Neste momento é feita a capação da haste principal (Figura 9). O ideal é
deixar o mesmo número de folhas (entrenós), tanto acima como abaixo dos entrenós onde
estão localizados os frutos.
Figura 8 –
Início do desenvolvimento dos ramos secundários.
Figura 9 –
Plantas após a poda apical e desponte dos ramos.

Cultivo hidropônico do meloeiro
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O raleio dos frutos é realizado após a constatação do pegamento e desenvol-
vimento inicial (3cm de diâmetro) dos mesmos (Figura 10), deixando-se posteriormente
apenas dois frutos por planta. Hughes et al. (1983) demonstram que os frutos situados
muito próximos uns dos outros competem entre si pelas mesmas folhas. Assim, segundo
Monteiro & Mexia (1988), é freqüente o abortamento da maioria dos frutos recém fixados
de modo que pequena parte completa o seu desenvolvimento.

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Série Produtor Rural – Edição Especial
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Figura 14 – Frutos praticamente desenvolvidos,
próximos da colheita.
8.4 Tratos culturais
É aconselhável fazer a desfolha das 3 ou 4 primeiras folhas, quando essas
entrarem em fase de decadência de suas atividades fotossintéticas (senescência). Esta
operação favorece a ventilação, auxiliando no controle da temperatura e evitando problemas
de doenças. A desfolha deve ser realizada rapidamente, evitando que o ferimento na haste
se torne grande e de difícil cicatrização. Em alguns casos é recomendável a utilização de
fungicida no local do ferimento. A assepsia da ferramenta com água sanitária a 3% deve
ser feita toda vez que a ferramenta for utilizada na planta.
Alguns híbridos de melão quando maduros desprendem-se do pedúnculo devido
ao anel de abscisão formado. Neste caso, existe a necessidade de fixação do fruto através
de rede ou malha, prendendo-o ao arame superior para evitar sua queda e possíveis injúrias
no fruto. Frutos muito grandes e, conseqüentemente pesados, podem forçar a planta para
baixo, comprometendo e até rompendo a haste principal. O indicado é também vestir os
frutos com rede ou malha.
É oportuno lembrar que quando o fruto se fixa num entrenó muito baixo, a planta
apresentará fruto pequeno e achatado. Por outro lado, o inverso ocorre quando o fruto se
fixa em entrenó muito acima.
O controle fitossanitário deve ser executado de forma preventiva, utilizando-se
produtos comerciais e dose indicada para o cultivo de melão em campo aberto. Tomar
muito cuidado nas condições fechadas porque não há a contribuição do vento para dissipar
o produto.
8.5 Colheita
O ponto de colheita é de fundamental importância, pois, o conteúdo de sólidos
solúveis do melão não aumenta após a retirada do fruto da planta. Desta forma, é necessário
que o fruto permaneça na planta até a sua maturidade, caso contrário o fruto terá sua
qualidade bastante prejudicada, apresentando boa aparência, porém, sem sabor. Quando
a colheita é feita além do tempo ideal corre-se o risco de os frutos apresentarem alguns
distúrbios fisiológicos.
Alguns híbridos apresentam indícios de maturidade podendo auxiliar no momento
adequado para a colheita, como a mudança na coloração do exocarpo (casca), o grau de
ressecamento do pedúnculo, a marcante deficiência nutricional da folha próxima ao fruto e
o odor característico de melão. Os híbridos de melão do tipo Galia apresentam mudança
na coloração do exocarpo, passando de verde escuro para amarelo (Figura 15), com isso,
facilita muito na indicação do momento certo da colheita. Em geral, para este tipo de melão
é aconselhável a colheita quando o exocarpo apresentar 60% da sua superfície na coloração
amarela.
A classificação comercial por tipo facilita a comunicação entre os diferentes agentes
da cadeia do agronegócio do melão. Por tipo deve ser entendido um grupo de cultivares ou
de híbridos que apresentam uma ou mais características semelhantes, identificáveis
facilmente e diferenciadas dos demais, tal como, o aspecto da casca (cor quando maduro,
presença ou ausência de suturas, cicatrizes, reticulação ou rendilhamento), cor da polpa,
formato do fruto entre outros (Alves, 2000).
A colheita dos frutos deve ser realizada cortando-se o pedúnculo com um canivete
e deixando o fruto com pedúnculo de aproximadamente 1cm de comprimento

http://www.esalq.usp.br/biblioteca/PUBLICACAO/Serie%20Produtor%20Rural%20Especial%20-%20Cultivo%20Hidroponico%20do%20Meloeiro/Meloeiro.pdf

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